Racionalidade científica X uso de Cloroquina e Hidroxicloroquina

Em 31 de março de 2020, o Cosems RJ emitiu Nota Informativa, que abordou como tema os novos arranjos na dispensação de medicamentos em função da nova realidade da pandemia do COVID-19. Já naquele momento, a instituição alertava a ausência de vacinas ou antivirais específicos aprovados para prevenir ou tratar a doença e chamava a atenção dos gestores, para a necessidade de estabelecer metodologias, fundamentadas em evidências, para a definição do uso racional de medicamentos.  

Desde então e, preocupado com o impressionante impacto desta pandemia na saúde mundial – cuja  a letalidade continua, já que seu enfrentamento depende da disponibilidade de testagem ampla e da qualidade do serviço de saúde –, voltamos a reafirmar da necessidade de incluir, nas decisões dos profissionais de saúde e dos gestores, a determinação de regras e normas para a aplicação de medicamentos, baseadas em evidências e no uso racional de medicamentos.

Por ter sido tema de polêmicas que fogem da racionalidade científica, o uso de Cloroquina e Hidroxicloroquina têm preocupado a todos, nesta incansável luta pela vida, função primordial dos gestores do SUS. Portanto, o Cosems RJ disponibiliza nesse espaço ampla informação de resultados de trabalhos científicos, notas técnicas e conclusões oficiais que apontam para os cuidados no uso destes medicamentos em pacientes, graves ou moderados, contaminados pelo coronavírus.

Como conclusões parciais, cabe, entretanto, já salientar que:

  • Não há evidências científicas favoráveis que sustentem o uso de CQ/HCQ em qualquer dose ou estádio da COVID-19, quer no nível individual quer no de políticas públicas;
  • Por outro lado, há estudos que demonstram que o uso de CQ/HCQ para o tratamento de Covid-19 pode estar associado à maior frequência de eventos adversos graves e com maior letalidade e
  • O uso de CQ/HCQ deve ser restrito a protocolos de pesquisa aprovados por comitês de ética em pesquisa.

Fixarmos os conceitos das questões que o  Cosems RJ orienta que sejam base para tomada de decisões pelos gestores e profissionais prescritores.:  :

EVIDÊNCIA CIENTÍFICA (https://pt.wikipedia.org/wiki/Evid%C3%AAncia) em 27 de maio de 2020:

Na filosofia antigaevidência é a característica própria do conhecimento em seu grau máximo, isto é, do conhecimento alcançado pelo intelecto intuitivo. Em oposição à evidência, estaria a opinião, desprovida da clareza e da verdade, já que se baseia na ilusão dos sentidos.

Uma evidência científica é o conjunto de elementos utilizados para apoiar ou refutar uma hipótese ou teoria científica. Uma evidência científica deve ser uma evidência empírica obtida e interpretada de acordo com o método científico, passível, portanto, de repetição por outros cientistas em locais diferentes daquele onde foi realizada originalmente. Os padrões das evidências científicas podem variar de acordo com o campo de pesquisa, mas a força de uma evidência é geralmente baseada nos resultados da análise estatística e no controle científico.

Uso racional de medicamentos

Em 1985, na conferência de Nairóbi, a OMS propôs o conceito de uso racional de medicamentos (URM): quando os pacientes recebem os medicamentos apropriados à sua condição clínica, em doses adequadas capazes de gerar efeitos farmacológicos eficazes, boa tolerabilidade e segurança com mínimos efeitos tóxicos, em horários compatíveis por um período de tempo suficiente e ao menor custo possível. O URM tem, portanto, como objetivos maximizar a atividade terapêutica, minimizar os riscos para o paciente e evitar custos desnecessários.

O uso irracional de medicamentos é um importante problema de saúde pública em todo o mundo, com grandes consequências econômicas. Estima-se que a prescrição incorreta possa acarretar gastos de 50 a 70% mais altos dos recursos governamentais destinados aos medicamentos. Entretanto, quando utilizados apropriadamente, os produtos farmacêuticos são os recursos terapêuticos mais frequentemente custo-efetivos.

Protocolos e Normas

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