Cosems/RJ propõe antecipar riscos e proteger vidas em reunião do CES/RJ sobre os impactos do El Niño

Reunião Plenária Extraordinária do CES/RJ debateu, na terça-feira (27/10), os desafios climáticos e apontou prioridades na prevenção de desastres e proteção de populações vulneráveis nos municípios fluminenses.
Fonte: Reprodução Ascom CES-RJ/ Texto e imagens Daniel Spirin Reynaldo
O Conselho Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (CES/RJ) realizou, no dia 27 de outubro de 2026, uma Reunião Plenária Extraordinária no auditório da Secretaria de Estado de Saúde do RJ (SES/RJ) para debater os graves desafios trazidos pelo fenômeno climático El Niño e suas implicações diretas na saúde pública fluminense. O encontro teve como objetivo central articular estratégias de prevenção, preparação e resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos eventos extremos associados às mudanças climáticas.
A mesa de debates reuniu representantes estratégicos da Subsecretaria de Vigilância e Atenção Primária à Saúde (SES/RJ), do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Estado do Rio de Janeiro (Cosems/RJ), da Secretaria de Estado de Defesa Civil (SEDEC/CHGAB), do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (SEAS), além de estudantes, conselheiros e representantes sindicais.
A apresentação do Cosems/RJ: antecipar riscos e proteger vidas
Representando o Cosems-RJ e atuando também como conselheiro do CES/RJ, o assessor técnico Manoel Santos abriu sua participação destacando que discutir o El Niño vai muito além de analisar o clima: trata-se de medir a capacidade do SUS de antecipar riscos, proteger vidas e reduzir desigualdades sociais e territoriais.
Santos alertou que as alterações nos padrões de temperatura e precipitação geram múltiplos impactos no estado — de ondas de calor e temporais a alagamentos, deslizamentos, comprometimento da qualidade da água e do ar, além de alterações no comportamento de doenças transmitidas por vetores. Ele enfatizou que esses riscos afetam de forma desproporcional as populações residentes em áreas vulneráveis, moradias precárias e com acesso restrito ao saneamento básico.
Diante desse cenário, o Manoel estruturou sua proposta em três grandes prioridades para os municípios fluminenses:
- Fortalecimento da Vigilância Integrada: É fundamental unir a Vigilância em Saúde Ambiental com a Vigilância Epidemiológica e a Atenção Primária à Saúde. Isso permite identificar antecipadamente territórios vulneráveis, acompanhar alertas meteorológicos, monitorar a qualidade do ar e da água, e intensificar o rastreio de agravos climáticos para que a informação chegue a tempo de orientar decisões das equipes de saúde.
- Preparação Prévia dos Serviços de Saúde: Os municípios precisam avaliar seus riscos, atualizar planos de contingência, definir responsabilidades e estabelecer fluxos claros de comunicação antes que as emergências ocorram. O planejamento deve garantir a continuidade do atendimento, a conservação de vacinas e medicamentos, o abastecimento de água segura e a capacidade de absorver demandas inesperadas.
- Articulação Intersetorial e Cooperação: A saúde não atua de forma isolada. É preciso aproximar as Secretarias Municipais de Saúde da Defesa Civil, do Meio Ambiente, do saneamento e da assistência social. No âmbito estadual, destacou o papel da SES/RJ em oferecer orientação técnica e apoiar os municípios respeitando suas realidades regionais.
Como contribuição prática do Cosems-RJ, Santos ressaltou o apoio na disseminação de informações qualificadas e o uso de iniciativas como o podcast desenvolvido pela entidade, idealizado para traduzir dados técnicos em orientações acessíveis para gestores, trabalhadores da saúde e a população.
Manoel Santos. (Foto: Daniel Spirin)
Plano de ação e agenda conjunta
A apresentação culminou em propostas concretas para o fortalecimento da rede pública, divididas em frentes estratégicas:
- Diagnóstico Municipal de Risco: Mapeamento de áreas de inundações, deslizamentos, vulnerabilidades sociais e capacidade instalada da rede de saúde.
- Planos de Contingência Atualizados: Verificação de protocolos operacionais e estratégias para manutenção de serviços essenciais.
- Vigilância Territorial Articulada: Integração entre Vigiagua, saúde ambiental, arboviroses e Defesa Civil no enfrentamento de ondas de calor, chuvas intensas e riscos hídricos.
- Cooperação Regional: Estímulo da SES-RJ e do COSEMS-RJ ao compartilhamento de experiências entre as nove Regiões de Saúde.
- Comunicação Pública: Uso de conteúdos educativos validados sobre prevenção e cuidados essenciais em crises climáticas.
“Não podemos controlar o fenômeno climático, mas podemos reduzir seus impactos sobre a saúde. E isso depende de planejamento, vigilância, cooperação e, sobretudo, da nossa capacidade de agir antes que o risco se transforme em tragédia”, concluiu Manoel Santos. A plenária encerrou com o indicativo de consolidar uma agenda integrada entre o CES/RJ, a SES/RJ, o Cosems-RJ e os órgãos de defesa civil para o acompanhamento contínuo das medidas de resposta.
A reunião foi transmitida ao vivo na CES-RJ TV, no YouTube.






